LESÕES ESPORTIVAS

Distensão muscular por prática esportiva

Dr. Carlos Mattos –

Lesão mais comum em esportes de contato e com muita movimentação, mudança de direção e aceleração rápida, como o futebol, a distensão muscular ocorre quando o músculo estica mais do que sua resistência permite.

Não é apenas o movimento em si que causa a lesão, mas sim o fato de a musculatura estar fraca ou fadigada, por isso não resiste ao movimento de alongamento do músculo, rompendo as fibras musculares.

Normalmente os atletas acima dos 30 anos são mais acometidos por este tipo de lesão, já que, com o passar dos anos, a musculatura apresenta uma elasticidade menor.

Fatores de risco

Encurtamento muscular: o músculo trabalha muito próximo ao limite de estiramento, aumentando as chances de lesão;

Lesões prévias: depois de uma lesão muscular, a cicatrização é feita por formação de fibrose, um tecido diferente da musculatura original, que não possui a mesma elasticidade e resistência, aumentando as chances de novas lesões;

Carga de treino: quando o músculo está fadigado e ainda sim é forçado a continuar, como nos minutos finais de um treino ou de um esporte, a musculatura pode se romper.

Diagnóstico

Exames de imagem como ressonância magnética ou ultrassonografia podem detectar a distensão muscular e avaliar a extensão da lesão – estiramento muscular, lesão completa ou parcial.

Podemos classificar as lesões musculares em 3 diferentes graus:

Grau I: até 5% de estiramento das fibras musculares, baixa limitação e rápida recuperação;

Grau II: entre 5% e 50% das fibras lesionadas, podendo apresentar manchas roxas na pele, dor mais intensa e dificuldade para caminhar;

Grau III: mais de 50% das fibras são lesionadas e apresentam perda significativa da função, com presença de defeito palpável, edema, manchas roxas e hematomas, além de dor intensa.

Tratamento

Cada caso apresenta o seu tratamento específico, mas na maior parte dos quadros é possível tratar com órteses para proteção, repouso, gelo, compressão no local e elevação do joelho. Em casos mais severos pode ser necessário o uso de muletas. Para reparar a musculatura lesionada é necessário, após a fase de repouso, o início de fisioterapia com métodos como ultrassom e laser que ajudam na melhora do hematoma, na aceleração do processo inflamatório e na reparação do tecido.

Após as sessões de fisioterapia pode se dar início aos exercícios de alongamento e fortalecimento, responsáveis por ajudar na recuperação da funcionalidade da musculatura, o que permitirá o retorno às atividades esportivas.
A retomada ao esporte e às atividades físicas deve ser gradual e monitorada por um profissional especializado.

Dr. Carlos Mattos é ortopedista, especialista em Cirurgia do Ombro e Lesões Esportivas, Chefe do Departamento de Ortopedia da PUC-Campinas e Diretor Clínico do Hospital PUC-Campinas.

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