Luxação de ombro: causas e tratamento

Dr. Carlos Mattos – Sensação de deslocamento da articulação com dor intensa são os principais sintomas da luxação de ombro, lesão que tem causa traumática ou esportiva e que atinge principalmente praticantes de esportes, como nadadores e jogadores de vôlei, basquete e handebol.

Esse tipo de lesão do ombro é considerado luxação a partir do momento em que há perda de contato articular de ossos que deveriam estar próximos e em contínuo contato através da cartilagem, ou seja, quando o osso do nosso braço (úmero) perde o contato com a articulação do ombro chamada de glenoumeral e não retorna ao seu local.

Nos casos traumáticos, a lesão ocorre devido a energia do trauma superar as estruturas que estabilizam o ombro, sendo apresentada em quatro tipos: anterior, posterior, superior e inferior. A luxação anterior é a mais comum e se caracteriza pelo deslocamento do osso para frente. Na luxação posterior, o deslocamento do osso é para trás e ocorre em somente 5-10% dos casos, geralmente após choques elétricos, convulsões ou acidentes de carro em que o motorista estava com os braços esticados no volante. No deslocamento superior e inferior, o osso vai para cima e para baixo, respectivamente, e também tem menor incidência.

É importante dizer que, quando ocorre uma luxação, os ligamentos são lesionados, fazendo com que os tecidos não cicatrizem ou então cicatrizem de maneira incorreta, favorecendo a chamada luxação recidivante. Se não for tratada, após danificar os ligamentos, a lesão pode progredir para o osso, aumentando ainda mais a chance de luxação.
Para o diagnóstico, realizamos exames de imagem para avaliar a lesão e, dependendo do tipo de luxação e idade do paciente, optamos pelo tratamento cirúrgico ou conservador.

O primeiro passo do tratamento é colocar o ombro no lugar nos casos em que ele se desloca e não volta espontaneamente. Feito isso, a próxima etapa é decidir pela forma conservadora ou cirúrgica do tratamento tendo como base o tipo de lesão e de paciente.

Optamos pelo tratamento conservador composto por imobilização nos primeiros dias, fisioterapia e fortalecimento muscular naqueles com maior idade e menos ativos. Para os esportistas, jovens, indivíduos com muita demanda que têm lesões recidivantes, a cirurgia é o mais recomendável.

Quanto mais episódios de luxação maior o comprometimento das estruturas ligamentares e ósseas, dificultando a reconstrução cirúrgica, que pode ser desde cirurgia artroscópica até cirurgia aberta com uso de enxertos ósseos.

Dr. Carlos Mattos é médico ortopedista, especialista em Cirurgia do Ombro e Lesões Esportivas, Chefe do Departamento de Ortopedia da PUC-Campinas e Diretor Clínico do Hospital PUC-Campinas.

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