SIRVA: Lesão do ombro relacionada à administração de vacina

Dr. Carlos Mattos – Você já ouviu falar em SIRVA? É a sigla em inglês para a lesão do ombro relacionada à administração de vacinas (Shoulder Injury Related to Vaccine Administration) descrita pelo National Vaccine Injury Compensation Program (VICP), nos Estados Unidos, em 2010.

Trata-se de uma patologia normalmente rara, porém que pode ser mais identificada agora devido às campanhas de vacinação da Covid-19.

A definição mais consensual de SIRVA é de dor no ombro, com limitação da mobilidade, com início nas primeiras 48 horas após a administração da vacina, em indivíduos sem história prévia de dor ou disfunção desse ombro.

Nos últimos tempos atendi em meu consultório quatro casos de lesão no ombro, sendo três de capsulite e um de bursite, que podem estar relacionados à administração da vacina da Covid-19.

Sabemos que as reações adversas às injeções de vacina tendem a ser leves e bem raras. Porém, vários casos de eventos em ombros, como bursite, dor generalizada ou diminuição da amplitude de movimento, foram relatados após vacinações de rotina e inclusive há publicações de relato de casos recentes sobre a relação de SIRVA e vacina contra a Covid.

No ano passado, saiu uma revisão sistemática da literatura para identificar todos os relatos publicados de SIRVA. Foram revisados 27 artigos que relataram um ou mais casos de SIRVA.

A vacina mais comumente citada foi a da Influenza. Os sintomas mais comuns foram dor com início em até 48 horas e perda da amplitude de movimento do ombro. Os casos foram tratados com fisioterapia, injeções de corticosteroides e administração de medicamentos anti-inflamatórios.

Os estudos mostraram que alguns pacientes, porém, precisaram de cirurgia. Independentemente da intervenção, a grande maioria dos casos apresentou melhora da dor e da função, à exceção dos pacientes com lesão nervosa.

A SIRVA tem múltiplas possíveis etiologias, inclusive comprimento da agulha, lesão mecânica por penetração excessiva da agulha e resposta inflamatória aos componentes da vacina; no entanto, ainda não há um exame definitivo ou resultado quantificável.

Para diminuir o risco de SIRVA, devem ser seguidas as técnicas corretas de administração da vacina, como o uso de agulhas de comprimento adequado para o paciente, marcação adequada e evitar a penetração excessiva no terço superior do músculo deltoide.

O RECADO PRINCIPAL É QUE AS PESSOAS NÃO DEVEM DEIXAR DE SE VACINAR POR RECEIO DA SIRVA, POIS SÃO CASOS RAROS E DE FÁCIL RESOLUÇÃO.

Em caso de sintomas compatíveis com a SIRVA procure um ortopedista especialista em ombro.

Abaixo alguns artigos sobre o tema:
https://www.cmaj.ca/content/194/2/E46
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33944967/
http://rbo.org.br/detalhes/4560/pt-BR/lesao-de-ombro-apos-a-vacinacao–uma-revisao-sistematica

Dr. Carlos Mattos é ortopedista, especialista em Cirurgia do Ombro e Lesões Esportivas, Chefe do Departamento de Ortopedia da PUC-Campinas e Diretor Clínico do Hospital PUC-Campinas.

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