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Lesões no crossfit

Dr. Carlos Mattos

Uma das atividades esportivas que mais tem ganhado adeptos nos últimos tempos é o crossfit, modalidade desafiadora e motivacional que é baseada em exercícios funcionais de alta intensidade visando condicionar o corpo globalmente, sem focar em regiões específicas.

Apesar dos treinos serem compostos pelo aquecimento e pela execução da técnica, o que se sobressai é a parte em que as técnicas são realizadas de forma mais intensa possível, com um número alto de repetições e com pouco ou nenhum intervalo de descanso entre os exercícios. Esses exercícios são baseados em levantamento de peso, condicionamento metabólico (corrida, ciclismo, remo) e ginástica artística.

Depois de ler tudo isso, é natural pensar que essa é uma modalidade supercompleta e que pode ser praticada por qualquer pessoa, porém não é bem assim. Deve ser encarada como um esporte, com progressão planejada e supervisão adequada. O número de lesões de alta complexidade que tem surgido nos praticantes de crossfit aumenta a cada dia, afinal é um exercício de alta intensidade biológica e fisiológica e de execução excessiva de movimentos, o que leva à ocorrência de lesões musculoesqueléticas e ligamentares, principalmente no ombro, cotovelo, punho, joelho e coluna lombar.

As lesões ocorrem não só pela carga excessiva e número alto de repetições dos movimentos, mas também por fatores externos associados, como obesidade do praticante, gênero (mulher tem maior propensão a lesões neste esporte), tabagismo, praticar o crossfit mais de três vezes por semana, fazer outras atividades físicas paralelas e ingerir bebidas alcoólicas, entre outros.

No crossfit, as lesões sérias mais comuns são: ruptura do menisco do joelho, ruptura dos tendões do ombro e hérnia ou alterações de disco na coluna.

No caso da ruptura do menisco do joelho, essa é uma lesão importante, já que sua função é amortecer o joelho em movimentos rotativos e de impacto para preservar suas estruturas internas. Por isso, na maioria dos casos de lesão com fragmento instável, o tratamento é cirúrgico, para que a função seja reestabelecida. Também existe tratamento conservador para lesões meniscais pequenas e estáveis. No consultório, já atendemos pacientes também com lesões ligamentares do joelho, cujo tratamento depende do grau da lesão e do ligamento acometido.

As lesões de ruptura dos tendões de ombro (como a do manguito rotador ou do labrum) quase sempre também precisam de tratamento cirúrgico, pois os sintomas costumam ser progressivos em jovens. E quanto à hérnia de disco, o indivíduo sofrerá bastante incômodo e limitação da qualidade de vida, podendo também ser necessária uma cirurgia nos casos em que não melhora com tratamento conservador. Lesões no cotovelo são também frequentes, como, por exemplo, a epicondilite e as tendinites, envolvendo principalmente extensores do antebraço e tríceps.

Portanto, assim como em qualquer outra modalidade, para evitar as temidas lesões é importante respeitar sempre o limite do corpo e ter orientação de profissionais capacitados (médicos, fisioterapeutas e educadores físicos) para a prática da modalidade.

Dr. Carlos Mattos é ortopedista, especialista em Cirurgia do Ombro e Lesões Esportivas, Chefe do Departamento de Ortopedia da PUC-Campinas e Diretor Clínico do Hospital PUC-Campinas.

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