ORTOPEDIA

Osteoporose: causas e tratamento

Osteoporose

Dr. Carlos Mattos

A estrutura do nosso esqueleto participa de um ciclo de renovação que ganha e perde massa óssea ao longo da vida. Até os 20 anos o ganho de massa óssea se sobrepõe às perdas, mas após os 40 anos essa situação começa a mudar. E, assim, com o passar do tempo, a preocupação é com a osteoporose, mais comum em mulheres acima dos 45 anos na menopausa e homens após os 70.

A osteoporose é uma doença sistêmica que se instala inicialmente na fase chamada de osteopenia, quando há um desequilíbrio entre as células responsáveis pela absorção e regeneração do tecido ósseo. Ou seja, as células que consomem o osso atuam mais rapidamente do que as que são responsáveis pela reposição óssea.

Como é uma doença silenciosa que deixa os ossos frágeis e porosos, mudando sua arquitetura, geralmente é detectada apenas em estado avançado – quando há fratura ou dor crônica provocada pela deformidade dos ossos – e que traz muitos prejuízos se não tratada corretamente. Apesar de poder se manifestar a partir dos 45 anos nas mulheres, o alerta principal da osteoporose é após a menopausa, que interfere de forma decisiva na perda e no ganho de massa óssea devido às mudanças hormonais.

Além de ser uma doença característica da idade, a osteoporose pode acontecer devido a outros fatores, como problemas renais, endocrinológicos, certos tipos de medicações, uso de cigarro, predisposição genética, sedentarismo, abuso do álcool e dieta pobre em cálcio.

Mulheres que exageram na atividade física podem sofrer a “Tríade da Mulher Atleta”, sofrendo de distúrbios de alimentação, alterações graves no ciclo hormonal e osteoporose precoce, ficando mais susceptíveis a lesões ósseas. Bailarinas e maratonistas podem entrar nesse quadro.

Para o diagnóstico, é feito um exame chamado densitometria óssea, que consegue mapear a densidade do osso na região da coluna, quadril ou punho, áreas de maior fragilidade e risco de fratura. A dosagem de vitamina D também tem se mostrado útil, pois baixas doses dessa vitamina nas mulheres dificultam a fixação do cálcio nos ossos.

A prevenção para evitar fraturas principalmente no quadril, fêmur e costela fica por conta da ingestão mínima diária de 500 miligramas de cálcio e a obtenção da vitamina D através de banhos de sol diários durante 15 minutos, além de exercícios físicos de impacto que estimulam a formação de massa óssea. Nos casos da doença já instalada, o tratamento inicial na maioria das vezes são adequação da dieta, introdução de minerais e vitaminas para suplementar a alimentação e uso de medicações.

Vale destacar que o Hospital PUC-Campinas recebeu em fevereiro um selo internacional de reconhecimento por seu programa de cuidados e prevenção da osteoporose concedido pela International Osteoporosis Foundation (IOF).

Dr. Carlos Mattos é ortopedista, especialista em Cirurgia do Ombro e Lesões Esportivas, Chefe do Departamento de Ortopedia da PUC-Campinas e Diretor Clínico do Hospital PUC-Campinas.

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